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11 de agosto de 2012

Barrados na balada

Faz tempo que não posto aqui porque não tive muito tempo. Mas essa é a minha última semana em Berlim (já), então preciso organizar minhas coisas, para depois vir escrever posts mais longos. A partir da semana que vem vou viajar por 2 semanas, e depois vou para minha nova casa em Munique.

Mas achei um assunto curto do qual falar, só porque isso me indignou muito. Ontem eu e uns amigos tínhamos decidido ir numa balada da qual minha amiga tinha ouvido falar. Era supostamente uma balada chique, em cima de um prédio onde daria para ver a cidade. Fomos.

Chegando lá tinha uma entrada com três seguranças de terno na porta, coisa que não costuma ter aqui. Chegamos, por coincidência, junto com outras pessoas. O segurança deixou algumas entrarem e, em seguida, fechou a catraca para a gente e perguntou se estávamos junto com as pessoas atrás de nós. Não. Então disse que nós podíamos todos seguir à direita. Seguimos. E ficamos para fora da fila. Não podíamos entrar. Simples assim, sem explicação.

Um rapaz que estava com a gente disse que ouviu o segurança falando que nós não éramos alemães. Alguém me dá uma arma para eu dar um tiro nessa criatura infeliz?
Não foi a primeira vez que sofri xenofobismo aqui, e provavelmente não vai ser a última. Esse tipo de experiência só me serve para eu aprender muito sobre a vida, as pessoas, e como elas devem ser tratadas.

24 de julho de 2012

Curtas, parte 3: ingresso gratuito

Eu juro que tento, mas alimento o esteriotipo do brasileiro e não consigo ser organizada. Organizada nos mínimos detalhes. Por exemplo, semana passada eu troquei de bolsa. Não comprei uma bolsa nova, só resolvi que no dia seguinte ia sair com outra bolsa, e para isso precisava transferir todos os objetos de uma para a outra.

Lógico que durante esse processo eu me distraí, olhei o computador, mexi em outras coisas, então a bolsa não recebeu atenção máxima. Lógico, eu esqueci de transferir um ítem importantíssimo: a carteira. Aí, no dia seguinte, como eu tinha aula só à tarde e o tempo estava duvidoso, resolvi ir num dos museus da minha lista de coisas a fazer, o museu da tecnologia. Cheguei lá toda feliz de conhecer uma rua nova de Berlim, e um metrô novo também, e por ticar um ítem da minha lista. Mas na hora de pagar o ingresso, cadê a carteira? Eu pedi licença para a mulher do caixa e disse que ía procurar meu dinheiro. A mulher atendeu outras pessoas, e depois virou para mim e perguntou se eu já tinha achado.

- Não, eu esqueci a minha carteira -, eu disse. Ela começou a mexer no caixa, tirou um ingresso e quis me dar.
- Mas eu não tenho dinheiro -, eu respondi, já louca de ter perdido a viagem.
- Eu sei! - disse a mulher mal-humorada. - Mas esse ingresso é para a senhora.
- É, mas eu não estou entendendo...
- A senhora está esperando alguém?
- Não.
- Então é um ingresso gratuito, já que a senhora esqueceu a carteira - disse ela com o mal-humor ainda maior. - De vez em quando a gente faz isso!

Eu aceitei o ingresso chocada. Sério. Agora chocada por que, eu não sei. Por ela ter me dado o ingresso, quando a reação de muitos outros alemães seria de "problema seu". Ou por ela ter feito uma cortesia com mal-humor? Quando a gente é gentil a gente tenta demonstrar isso. Eu nunca tinha visto uma cortesia feita brava desse jeito, como se eu não ter entendido que era um presente a tivesse irritado.

De qualquer forma, não estou reclamando. O museu foi super interessante, mas os alemães são cada vez mais incompreensíveis.

20 de julho de 2012

De telefones antigos

Hoje eu fui no Technik Museum em Berlim e presenciei uma situação interessante. Não vou comentar agora sobre o museu em si, que é fantástico, mas sobre como talvez eu esteja ficando velha.

Na parte dos telefones tinha os mais diversos tipo de telefones antigos. Alguns todos de madeira, com designs bastante curiosos e típicos de aparelhos bem antigos. Esses, por exemplo, eram usados em ferroviárias:

Ai também tinha alguns telefones com esse disco para discar os números. Não sei o nome disso. Vejam só, todos antigos.

Então noto que ao meu lado havia um pai com uma menininha. Ele estava explicando para ela como funcionavam esses telefones com o disco. Que você tem que por o dedo no buraco do número e girar até o final, depois soltar, esperar o disco girar de volta e por o dedo no próximo número e assim por diante. E a menininha interessada, pois nunca tinha visto isso na vida. No final ela fez uma cara de rejeição com um comentário como "Era tudo assim, então? Que estranho!".

Estranho foi para mim, que nunca tinha imaginado que existisse uma pessoa (ok, uma criança) que não entendesse automaticamente como se usa um telefone desses.

12 de julho de 2012

Curtas - parte 2

Velho

Eu estava em Düsseldorf, num sábado de manhã com a intenção de conhecer a cidade. O tempo não estava muito de acordo com a minha decisão, pois ele me mandou uma chuvinha logo cedo. Como não gosto de ficar perdendo tempo no hostel, sai na rua com chuva mesmo. Chegando num lugar coberto, resolvi parar para ver para onde eu ia em seguida.

Nisso, passa um senhor de uns 60-70 anos no telefone. Ao passar do meu lado ele simplesmente parou e me olhou de cima a baixo. Me decidi e continuei meu caminho com o guarda-chuva pensando em como seria estranho se o homem tivesse realmente achado algo de errado comigo e viesse atrás de mim para reclamar de alguma coisa. Para minha surpresa (ou não), lá veio ele atrás de mim. Quero deixar claro, era um senhor alemão de terninho e cabelos brancos.

- Bom dia -, disse ele.
- Bom dia -, eu respondi e continuei andando.
- Qual é o seu nome? - disse ele, e eu olhei em choque por ouvir tal pergunta de um estranho nesse país onde as pessoas não se intrometem na vida dos outros assim.
- Por quê? - pois é, a Alemanha está me ensinando não aceitar de tudo.
- Porque eu te achei muito bonita. - E meu choque só aumenta. - Você não quer tomar café comigo?
- Eu já tomei café.
- Mas o tempo está ruim. É melhor sentar para esperar a chuva passar. De onde você é?
- Do Brasil. - eu sempre continuo andando.
- Eu conheço o Brasil! Iguaçu, Rio, Sao Paulo... - por que será que eu não me espantei com os exemplos? - Veja só, tem esse café aqui...
- Acho que não.
- Por que não?
- Não entendo por que deveriamos tomar café.
- É difícil de entender! Eu te achei bonita. Nós sentamos em algum lugar, ai você me conta o que você faz na Alemanha e eu te conto o que eu faço.
- Hum... Acho que não.
- Tudo bem. Tchau então!

Por quê? Por que, meu deus, só me acontece isso com gente que não me interessa?! Hahahaha. Se fosse um sujeito interessante eu teria ido! Hahahaha. Desculpa quem gosta, mas eu não gosto de velho, e muito menos de velho tarado no meio de um povo tão discreto!

6 de julho de 2012

Curtas - parte 1

Estou inaugurando essa coluna Curtas, que são simplesmente relatos curtos de situações engraçadas ou trágicas que eu vejo de vez em quando. Para quem se interesse por esse tipo de curiosidade, e também para eu não me esquecer dessas cenas.

Flores

Estávamos viajando de trem. Não lembro para onde, mas era com o Nahverkehr, esse trem regional e mais barato. O trem estava cheio. Eu estava com algumas pessoas, e todos encontraram lugares, menos uma. Eu sentei num lugar de frente para duas poltronas, uma ocupada por uma mulher - melhor dizendo, uma dama alemã - e o outro por uma sacola com flores. Do lado da minha poltrona tinha um tipo de superfície para colocar objetos. Ai essa pessoa que estava comigo e que tinha ficado sem lugar chega e pergunta para a mulher se aquela poltrona com as flores estava ocupada. Quero deixar claro novamente que era visível que o trem estava lotado. E qual não é a resposta?
"Sim, aqui estão as minhas flores."